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domingo, 20 de agosto de 2017

A morte, angústia de quem vive


   Sim, eu voltei! Tô há certo tempo pensando em voltar a escrever, mas a preguiça tem mais força, mas esse assunto tava martelando na minha cabeça e resolvi colocar no papel.

   Morte. Precisamos falar sobre a morte. Essa palavra parece amaldiçoada, ninguém gosta de ouvir ou falar. Sempre tem alguém pra tentar mudar o assunto. É só buscar cenas de morte em filmes, séries, novelas que você vai perceber, como esse cena de Chicago Fire:


Desculpem a falta de legenda 😢


   E essa cena se repete em dezenas de mídias. Mesmo com a morte em suas mãos ninguém ousa falar sobre ela. E isso é triste. A morte é a única certeza da vida, e ignorá-la não a impede de acontecer.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Cada um sabe a dor de ser o que é.


Sabe quando você está triste, está, por exemplo, sofrendo por amor, ou se sentindo só, ou achando seu corpo feio, ou não conseguindo controlar seus sentimentos e de repente entrando numa depressão, e daí você resolve conversar com um (a) amigo (a), desabafar, se abrir e seu (a) amigo (a) te responde com um hipócrita e sonoro "Ah, mas você tem saúde, você tem onde morar. Tem gente morrendo de câncer no hospital. Tem gente morrendo de fome na África. Tem gente cortando a pele na Patagônia."
Aaaaahhhhh... Que saco!

Se você é o (a) amigo (a) da história, APENAS PARE! Please!



Óbvio que há pessoas na África morrendo de fome, é claro que há pessoas lutando contra uma doença terminal num hospital, ou pela vida na faixa de Gaza. Também é sabido que há famílias que perderam entes queridos em catástrofes, aliás, há catástrofes, há epidemias, há pobreza, há sem tetos, há violência, etc etc etc... E nada disso é insignificante. Eu sinto, você sente, nós sentimos por todos eles e sentiríamos muito mais se fosse conosco. É doloroso demais, é incompreensível e quase inaceitável, por exemplo, ver uma criança com uma doença terminal ou violentada.
Há problemas que envolvem as vítimas e nos envolvem também e devemos lutar o quanto pudermos contra isso, como; a violência doméstica, violência contra mulheres, contra homossexuais, a violência contra todos de forma geral, o racismo, o machismo, os preconceitos e suas consequências.

É lamentável, dói demais tudo isso. Mas, vamos com calma queridos (as)!
"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", já dizia Caetano.
Não é porque o todo derrete-se em problemas, que não devemos observar o indivíduo. Afinal de contas, o todo é feito de indivíduos.

Não é porque há alguém sofrendo num hospital que eu não posso sentir dor, e além disso querer que alguém se sensibilize com minha dor e me ajude a superá-la.
Quando um (a) amigo (a) vier contar sobre seu sofrimento (seja ele o cachorro doente ou uma enchente devastadora) pense antes de responder. Sei que não é fácil para todos ser empático, (aliás, eu mesmo sou um desastre em ser altruísta, tenho trabalhado nisso confesso) mas não custa tentar. Respire e pense, tente averiguar a situação e entender o contexto para então dar sua opinião a pessoa que pediu (SE ELA PEDIU, NÃO SE META SE NÃO FOI CHAMADO (A)).
Ou se não sabe o que falar, seja sincero! SIMPLES:




Não temos como medir a dor que alguém está sentindo. Nem mesmo a pessoa é capaz de descrever. Então, devemos respeitar. Há dores e dores. Há dores no corpo, na mente, na alma e cada uma tem sua intensidade dependendo do contexto e de quem a sente. Ou seja, o fato de eu lembrar que há crianças doentes não faz com que a depressão de alguém diminua, entende? Para algumas pessoas, pensar nisso pode até piorá-la.
Além do que há momentos distintos para cada pessoa. Ou seja, hoje passo por problemas que "tiro de letra", mas, se fosse há dois anos atrás eu estaria em prantos. Há problemas que para mim podem parecer um elefante gigante sobre meu peito, mas o mesmo problema para outro pode não fazer diferença alguma.
Os problemas podem até serem "os mesmos", mas a alma que o comporta é diferente. Nem todo mundo tem a mesma força, a mesma compreensão das coisas, a mesma criação, o mesmo contexto e base familiar, a mesma renda, o mesmo convívio social, a mesma família... você me entende agora?
É isso.

Respeite o problema do outro. Respeite! APENAS.

E se você se identificou com o texto, está passando por uma fase muito difícil, saiba que "TamoJuntx". Você não é o pior dos seres humanos, você não é simplesmente incapaz porque nasceu incapaz e nada vai mudar. Você é linda, você é lindo, você não está só.
Pense se você teria coragem de dizer tudo que você diz a si mesmo  para o seu filho, sua filha, ou para você no passado. Você o chamaria de incapaz? Você o diria as mesmas coisas terríveis que diz a si mesmo hoje em dia? Repense!

Procure afago em você mesma (o), procure amigos, se você acredita em Deus, o procure também.



Força!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Estupro - O problema está na cabeça, de cima.

Oi gente,

Vamos falar sobre Castração Química para estupradores?

Bem, vamos lá.

O que é a Castração Química afinal de contas?

É uma forma TEMPORÁRIA de castração ocasionada por medicamentos hormonais que reduzem a libido, que bloqueiam o hormônio testosterona e contribui para que seja reduzido o apetite sexual.

Agora o que é Estupro?

Art.213 da Constituição diz: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

A definição de Estupro, na lei, é prática e objetiva. Acho até que por uma questão de redação mesmo. Mas, agora olhemos a mesma definição e partamos para uma compreensão e interpretação mais aprofundada.

Percebem que o estupro não se trata de apenas sexo à força? Ou de penetração? Percebem que o estupro está ligado a violência? Ao ato de ameaça? Ao descontrole? A personalidade? A crueldade? A mente?

Onde você quer chegar com isso Cris?

Ao exato ponto de que Castração Química NÃO É SOLUÇÃO.

Não é uma questão de simplesmente diminuir a libido. O homem que estupra tem nele incutida a maldade de fazer mal ao mais fraco. Ele tem um problema e não está no pênis.

A Castração só o deixará ainda mais alterado. Não há necessidade apenas do pênis para que um estupro seja cometido, (volte a definição no artigo 213, para conferir). O estuprador continuará violentando (com o que tiver ao seu alcance, sejam objetos, sejam palavras... até que se cometa o homicídio), pois a questão não se trata só de tesão sexual, se trata de um "tesão em estuprar, em torturar e ver o outro sentir dor enquanto ele sente prazer". Se trata de um descontrole. De um problema mental, emocional e estrutural (e social).

Agora, sabe o que piora a situação?
A proteção velada ao estuprador. 

Quando você alimenta a Cultura do Estupro, por exemplo. Aliás...

Vamos falar de Cultura do Estupro?

A Cultura do Estupro é uma construção que envolve crenças e normas de comportamento, estabelecidas a partir de valores específicos, que acabam banalizando, legitimando e tolerando a violência sexual contra a mulher (ou contra homossexuais, crianças...).
A Cultura do Estupro é a culpabilização da vítima, a sexualização da mulher como objeto e a banalização da violência contra a mulher.

Quando você, amiga e amigo, tenta arranjar todos os motivos e argumentos possíveis para culpar a vítima no caso de estupro, você está praticando a Cultura do Estupro.
Você homem, quando faz comentários a uma (ou sobre uma) mulher de forma que a objetifique, está praticando a Cultura do Estupro.
Vocês que acham que a luta das mulheres é insensata, é balela, que são todas se vitimando, estão cometendo a Cultura do Estupro.
Você que "come aquela mulher bonita na rua com os olhos" (quando não solta cantadinhas), mas, não permite que sua esposa, namorada e amiga use a roupa que ela bem entender, que não permite que ela se vista como "puta" (puta, igual aquela menina que você secou e desejou enquanto atravessava a faixa de pedestre), você é um baita de um machista cometendo a Cultura do Estupro.

Enfim, para fazer algo diferente que tal ensinar seu filho a não tocar em nenhuma mulher sem a permissão dela, ao invés de só ensinar a menina o modo como ela deve se vestir.
Não ensine seu filho a ser "o pegador", ensine-o a ser o "respeitador". Já será um grande passo.

Você, quando for fazer piadas machistas, interromper uma mulher enquanto ela tenta falar, gritar ou levantar a mão para ela, ou simplesmente desmerecer o que elas estão falando e fazendo com um IRRITANTE "a pia deve estar cheia de louça", PARA E PENSA. Aliás, PARA. Pelo amor de Deus, não continue reproduzindo o machismo.

Sabe aquela frase "a ocasião faz o ladrão"?
Pois é, o machismo é a ocasião do estuprador.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Para entender um pouco mais sobre política

Não podemos ignorar as últimas notícias sobre a política brasileiro que rodam por nossas redes sociais, é muita informação sendo jogada em nossas cabeças, e é preciso um pouco de noção de política para entender o que está acontecendo. Sinceramente isso não é fácil, já que dentro de nossas salas de aula esse assunto não é algo muito tratado.
Meu objetivo nesse post não é convencer ninguém sobre nada, até porque acredito que todos devam ter suas opiniões, mas “Por que sim! Não é resposta” como já dizia o querido personagem do Castelo Rá-Tim-Bum, é necessário informação para formar opinião e defender alguma causa.
Então antes de escolher um lado, ou não escolher nenhum, acho interessante compreendermos o que é política. Poderia indicar aqui várias pessoas que conseguem de forma simples explicar esse assunto, mas acho que ninguém melhor que Mário Sérgio Cortella para fazer isso. (Lembram dele nesse post aqui?)


O livro Política: para não ser idiota em parceria dele com Renato Janine Ribeiro é um ótimo começo pra entender. (Pra quem quer ler já, é só clicar no nome do livro que aparece ele em PDF). 
Quem tiver interesse, uma boa leitura! :D

domingo, 13 de dezembro de 2015

o tal do complexo de atlas


A Florentina de Gezuis sabe dos paranauê do Atlas...

O complexo de Atlas é uma expressão típica usada para denotar o quanto um indivíduo carrega de peso (Ou o mundo se preferir) nas costas por conta de um débito com a sociedade/particular ou pelo simples fato de jogarem o fardo todo para cima dele.

Assim como o mito do titã Atlas (Não, ele não era da formação original dos Titãs, tá?) - que foi condenado a segurar literalmente o globo terrestre (Há divergências sobre o globo e a abóboda celestial, aí o peso seria terrivelmente pior) em suas costas por toda eternidade - muitas pessoinhas fofas e sem estrutura de um magnânimo personagem fictício indestrutível também sofrem do mesmo castigo.

Se é que é castigo, algumas vezes nascemos com esse fardo antes mesmo de sabermos quem somos no mundo. Uma herança talvez, um sintoma da sociedade contemporânea que não conseguiu estabelecer suas regras, ou sim, também pode ser castigo.

Vejo com frequência jovens como eu, chegando aos 3, tentando arduamente expressar algo que seja seu unicamente. Algo original, algo que os satisfaça como de autoria própria, algo que faça a vida ter sentido do modo como dá, mas o bendito do fardo que carregam às vezes atrapalha o processo de maneira cruel.

São jovens (E crianças também, por que não? Já vi gurizada de 10 anos mais sábias que muitos marmanjos de 30 e 40 por essa vida de biblioteca escolar) que lentamente vão testemunhar sua falência de movimentos bruscos por conta da dor nos joelhos e na lombar por carregar o peso do mundo nas costas. Sem querer. Sem pedir. Sem ter garantia de quando vão se livrar daquilo.

Afunilando mais  reflexão aqui, os complexados de Atlas suportam mais do que deveriam, mais do que suas estruturas ósseas, emocionais e psicológicas conseguem manter. Cada esforço para dar um passo em mudança ou até mesmo sair do lugar é tão dolorido quanto carregar o fardo. Alguns não se dão conta disso até verem o fardo do outro, outros jamais vão admitir que aquilo ali nas costas eram um fardo (Alguns tem até um orgulho mórbido dos seus), outros que conseguem deixar um pouco do fardo ser aliviado por outrém (terapia é um ótimo começo, moçada) tem essa breve lembrança de infância quando o peso não era tanto, quando tudo era mais simples de se entender e difícil de se entrsitecer.

O fardo de Atlas (o mito) é contraditório, pois o titã claramente odiava a Humanidade por serem inferiores aos Titãs e os Olimpianos. Carregá-los para todo o sempre foi o seu castigo. Ter que suportar o peso que eles têm sob si foi o castigo, saber que era a base de sustentação de um mundo em que adoraria ter sob o controle, mas agora dominado por seres fracos e mortais era o castigo. A impotência de Atlas para realizar suas ambições e suas paixões foi o seu fraco: carregar o mundo nas costas a consequência.

Atlas de bronze por Lee Lawrie e Rene Paul Chambellan
em frente a Igreja de São Patrício em NY.

Mas como nós, meros mortais, temos em comum com o famigerado titã?
(Eu, por exemplo sempre gostei do Arnaldo Antunes)
(Sim, isso foi uma piadinha infame)

Nós carregamos no fardo os nossos sonhos, nossas angústias, nossas frustrações, nossos medos, nossas realizações, nossos amores e muito mais. O fardo é nosso. Ali também contém um pedaço de nós mesmos. Como então dar a lôca e jogar isso tudo pro alto? Como é possível se sentir aliviado de algo que faz parte de você desde que você se constituiu como pessoa?

Como carregar o mundo (o seu) e mais dos outros pode afetar nossa própria personalidade?

Ter a realização que há um fardo universal e que estará ali já é um bom começo. Ter a noção de que esse fardo vai moldar muitas das suas escolhas na vida (E de outras pessoas também) é algo importante a se relevar. Mas deixar que o fardo se transforme num hiper-ultra-blaster-megazord que ocupa totalmente a sua vida e não te deixa respirar, aí sim temos um problema. Claro que há certas situações em que o fardo é autenticado e pregado a sua lombar e que nunca mais irá sair - vejamos os fardos familiares com nós na ponta tão apertados, que deixar escapar algo para liberar o peso pode ser fatal para toda uma comunidade - e esses se deve ter muito cuidado. Esses fardos de difícil desassociação estarão lá sempre, não vai adiantar esvaziar um bocadinho agora, algum dia eles voltam com mais volume.

Os fardos para nós são diversos, mas quase convergindo para o mesmo ponto de apoio: as costas.

É ali que se encontra a maior parte dos nossos órgãos vitais - coração, pulmão, estômago, fígado - e é ali que a sustentação do fardo se aloca para se adaptar melhor ao indivíduo. Muito da distribuição de peso vai para o coração e o estômago, o restante do conjunto sofre com o peso estrangulando músculos, comprimindo artérias e trincando ossos. Não adianta fazer academia, ter alimentação saudável, ser cidadão "de bem", pagar impostos, seguir as regras, o fardo estará ali, pesando mais e mais enquanto a vida prossegue.

Por experiência particular, eu soube do meu fardo ao estabelecer o Outro. O meu contato com outras pessoas me deu noção de que meu fardo pode aumentar ou diminuir se assim eu me permitir. Saber o limite do Outro é estabelecer um limite para essa pandoca aqui que vos escreve. Tenho essa noção chata internalizada desde pequena, do o que ou não devo fazer para não aumentar o meu fardo e os ao meu redor. Sei que é extremamente delicado e impossível realizar isso com maestria, mas tem funcionado um bocadinho quando tento colocar as coisas em ordem novamente na sustentação dos meus joelhos.

Farnese Atlas em mármore - escultura romana.
Ter a consciência do fardo do Outro é importantíssimo para sabermos até onde podemos aguentar o nosso fardo e hey! Por que não talvez ajudar no fardo do Outro? É uma boa concepção de vida, me parece justo ter o conhecimento do meu fardo e querer compartilhar com quem está perto de mim (Ou longe, viva a Internet!). Talvez o meu fardo seja parecido com o seu. Talvez o seu fardo não me seja compreensível de desamarrar o bendito nó para esvaziar um pouco, mas só de termos contato e percebemos mesmo que os fardos podem ser aliviados, tudo muda na nossa vida.

Sinceramente só queria que alguns fardos de gente chegada a mim não fossem tão pesados. Isso vai encurvando a pessoa de tal maneira que o sentido da vida dela vai se tornando o fardo.
(Já disse que dá probreeeeema, pois então. Dá.)

Muitos de nós temos essa sensação de Atlas carregando o mundo nas costas, é até corriqueiro dizer isso de alguém que você conhece que parece estar carregando tantos problemas e tantas situações de vida que é difícil vê-lo superar ou aliviar aquilo. Cada fardo é um fardo e cada um carrega o seu. Ao meu ver, nenhum titã que participou da Titanomaquia (Aquela briguinha besta entre deuses e eles que trouxe castigo eterno pra uma pancada tipo, Sísifo, Tântalo, Prometeu e talz...) recebeu uma punição, mas sim uma consequência daquilo que mais almejava em sua vida.

Isso talvez possa ser transposto para o fardo nosso de cada dia.

Eu acredito que meu fardo seja eu mesma produzindo aos poucos para me atolar algum dia em breve nas minhas próprias mancadas, besteiras e decisões. Isso só veio com a percepção do Outro, o fardo de outrém me dá noção de como devo carregar o meu. Vi muitos fardos na família sendo cruéis e massacrando pessoas até sua completa inexistência como indivíduo. Esses fardos em formas distintas (garrafas, pílulas, papéis, malas de viagem, quinquilharias de segunda mão) trouxeram projeção pro meu fardo: até hoje morro de medo de estar carregando peso demais quando não deveria ter algum. E só o morrer de medo de não carregar algum já é um fardo.

Eita círculo vicioso.

Cuidar do fardo também não deve ser trágico, mas precisa de cuidados especiais para não se perder a cabeça (Literalmente). Há fardos que nem posso imaginar como são alojados distribuídos em costas tão sensíveis e pequenas. Há fardos que enxergo tão bem que para mim chega a ser uma forma implícita de ajudar, mesmo que não seja na hora, mas com um simples gesto de: "Oh, assim, olha só o meu fardo, ele também é parecido. Bora trocar figurinhas e ver se um deles se esvazia mais rápido?" - há fardos, eu sei, que não irei compreender - e desses eu tenho um apreço mais especial em desvendá-los para o dia que alguém precisar de pelo menos uma conversa rápida sobre pesos, medidas, equilíbrio e taxa de importação/exportação.

E já que estamos no final de ano, pensar nos fardos costuma ser algo mais acentuado quando há tantas reuniões familiares. Fardos esses que são bem pesadinhos por assim dizer, eles costumam ficar por um bom tempo se mexendo e revirando o restante do conteúdo do fardo que a gente carrega (Às vezes faz uns caírem por terra e ao invés de sentirmos alívio, é um enorme pesar por ter deixado escapar). Sei que o texto de hoje foi sério, mas é bom para deliberar quando estivermos ali, sentados na mesa de jantar, reunidos com os parentes e de repente perguntar:

O que raios eu tou fazendo aqui? Isso é demais para mim.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Precisamos falar sobre: Iniciativa

Post motivacional patrocinado pelo Panda!

Tem tanta gente querendo mudar o mundo, ou a própria vida, mas poucas pessoas buscam realmente fazer algo para que isso aconteça. É, tá faltando iniciativa pra muita gente, seja para prestar o vestibular para o curso que realmente deseja, conseguir o emprego dos sonhos, chamar a paquera pra sair – não chamo de crush, porque não, obrigada! – abrir a própria empresa, começar a dieta ou a academia.


 Quantas vezes eu já ouvi frases como “não vou fazer porque ninguém faz” ou “faço desse jeito porque é o jeito que todo mundo faz”, para a mudança ocorrer, seja ela no que for, é preciso que alguém comece. Se conseguimos que o ódio sem sentido seja disseminado, porque não boas ideias? Tantas notícias na internet de pessoas que fazem a diferença pelo mundo afora, e tudo que elas precisaram foi de força de vontade, iniciativa.


Então não seja tímido, vamos lá, você consegue, diga o primeiro oi, corra atrás, faça a mudança acontecer, na maioria das vezes só depende de você (não tô falando de meritocracia minha gente, é iniciativa mesmo!) E quem é amigo sabe que dar um empurrãozinho não custa nada – mas por favor sejam sensatos, o empurrão não deve ser baseado no estilo Nazaré Tedesco!!!.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

I'm Back!!


Dá o play pra animar o post! \m/

Yeah baby, tô de volta! Assim espero pelo menos, porque vou ser sincera, não tá fácil não. Tô aqui tirando pó do teclado, buscando rascunhos e revirando anotações para voltar a escrever (o blog e meu tcc, que estão mais do que congelados). Ultimamente meus dias estão muito corridos, nem nas férias eu tive folga, e graças a uma constante de problemas e tensões, meu corpo não aguentou, e agora estou aqui, me recuperando de um esgotamento mental. Por estranho que pareça, não foi meu trabalho que me deixou no limite, esse na verdade me dá uma certa paz, mas a minha vida pessoal, principalmente a parte financeira, que resolveu me surpreender com problemas aparentemente intermináveis.

Não é fácil admitir que não se está 100%, mas quando você começa a notar que uma noite de sono não é suficiente para descansar, ou que seus programas preferidos se tornaram tediosos, você percebe que tem algo errado. Uma das coisas que não conseguia mais fazer era escrever, e bloqueio de escrita é algo cruel!

Ficar parado em frente ao computador, (ou se prefere escrever no papel, ficar encarando o caderno, fazendo desenhos surrealistas impressionantes nas bordas das folhas) e não sair nada, horas e horas pra conseguir terminar um parágrafo, e ainda por cima terminar achando ruim. E quando a escrita é obrigatória, no meu caso o tcc, aí mesmo que desanda. Ser obrigado a escrever quando não se consegue parece que bloqueia triplamente a capacidade de raciocínio.

Tô recuperando meu animo, os interesses em livros, filmes, séries e principalmente em escrever, voltaram, não totalmente, mas tá muito melhor. Agora é conseguir manter o ritmo e esperar pelos dias de sol (sério São Pedro, já deu o que tinha que dar essa chuva, e olha que eu e o Sol não nos damos muito bem, mas já consegui até ficar com saudades dele!)

Fiquem ligados que esse sofá vai ficar movimentado! \o/


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Sobre juventude, envelhecer e coisas que a gente fazia quando não tinha nada pra fazer...

Um dia existiu um programa chamado Pijama Show e ele me acompanhou por muitas madrugadas da minha adolescência... Ainda existe, mas em outra rádio, que eu só tenho acesso via internet o que impossibilita que eu escute normalmente na velha rádio Atlântida que uma vez já foi tão boa.
Sabe o que é ter 14 anos e passar todas as suas madrugadas ouvindo o pijama e pendurada no telefone (da meia noite as seis que era mais barato) e ir dormir feliz, pra sonhar com tudo isso sorrindo?
Ahhh só tenho 26 anos mas as lembranças já parecem tão distantes...Hoje tudo é tão rápido, num ano acontecem tantas coisas, e doze anos já se passaram e hoje ouvindo isso aqui:


Eu to aqui chorando...ai eu tenho esse costume de viver de passado, mas é que isso traz um gostinho de vida tão bom que eu já não sentia há um tempo.

Era tão bom não se preocupar com muita coisa, apesar que eu me preocupava sim com muita coisa, mas mal sabia eu que aquelas preocupações não eram nada perto de tudo que tenho pra me preocupar hoje.

Eu não tinha nada pra fazer e dormir não era opção na madrugada e o Pi sempre tava ali, pra me escutar mesmo que quem estivesse escutando fosse eu.

Ligar o rádio e ouvir essa voz tão conhecida era motivo de sorriso imediato, assim como foi hoje com essa "Terça do ministério"  inesperada.

Acabei de lembrar que eu ainda tenho fitas cassete com gravações do místico e o famoso "Agua para os cavalos" kkk

Viver é tão mais emocionante quando se tem 14 anos...
O primeiro beijo, as enrascadas, as amigas, os enganos...

To ficando velha mês que vem e ainda não sei lidar com isso. Vou ficar aqui ouvindo meu Pijama, usando meu pijama, comendo brigadeiro e fingindo que eu não tenho trocentas coisas pra ler e um TCC pra fazer, deixa eu ser menininha de novo? Só um pouquinho?

 
 "Eu desapareci dos seus sonhos mas você não desapareceu dos meus..."

 



sábado, 29 de agosto de 2015

sobre liderança, tia do café e bibliotequeiros

[originalmente postado no blog minhavidadeescriba.blogspot.com no dia 28 de agosto de 2015 com leves alterações para esse blog aqui]


Essa breve postagem para catarse suprimida foi feita pela panda narcoléptica. Ela gosta de deliberar sobre a Biblioteconomia (Curso em que estuda e abraçou como profissão pro resto da vidinha dela) e sinceramente a criatura usou gifs de Spaceballs mais do que o permitido.
(Vão ver esse filme!! É bão demais!!)

Então já foram avisados!

===xxx===
Durante o breve tempo em que estive inserida no mercado de trabalho, os locais onde estagiei/trabalhei tiveram uma certa falta de liderança ou liderança alguma. Ou acontece da liderança estar já de saída e eu, peixinho pequeno inexperiente tenho que me responsabilizar por coisas que mal sei como acontecem.

A situação está acontecendo novamente, e mesmo com a cabeça fervendo de ideias e as mãos tateando coisas para serem feitas - e são muitas na parte mais de trazer gente pra biblioteca - aquele medo irracional de falhar horrivelmente e não conseguir fazer muita coisa se perpetua. Eu não gosto de holofotes no meu rosto, prefiro os bastidores, é lá que a dominação mundial acontece, é lá que me sinto confortável e segura, é nos fundilhos do processo que todo ao redor é transformado.

Eu gosto de gente mandando em mim (posso gostar, mas não quer dizer que irei obedecer imediatamente, tem criaturas que não lêem as regras ou o manual ou sequer conhecem a legislação, é difícil não querer contestar de alguma forma), prefiro ter alguém superior na hierarquia do que levar o chumbo grosso, sim, eu sou covarde, não, não quero ficar a frente das coisas, não quero me impor, porque aprendi que na vida você faz mais diferença sendo a tia do café, a incógnita, a precisa, a exata, a indispensável tia do café.

A lição da tia do café me foi apresentada logo no começo do curso de Biblio(teconomia oras!) e por incrível que pareça nos poucos exemplos admiráveis de pessoas que passaram na minha vida.

O causo é o seguinte: Era uma vez (como sempre) uma biblioteca especializada com quase uma dezena de bibliotecárias, em seus saltos altos, roupinha comportada e cheia de dedos devido a pós-graduação, e os usuários da unidade de informação eram pessoas do alto escalão do judiciário, gente que desconhece a vida real, aquele tipo de gente que cuida das leis, mas que faz pouco uso delas (Porque bem, todas as leis são contestáveis, né?). E havia a tia do café. Ninguém sabia o nome dela, quem era, se tinha família, se recebia salário mínimo, se tinha problemas, sonhos ou valores, os outros estavam ocupados demais sendo eles mesmos para perceber na tia do café.

Até porque EU SEI que meu café é bom. Por isso sou a tia do café.
Mas ela entregava o café com todos os pormenores para os da hierarquia do judiciário. Ela conhecia cada café bebido, cada preferência na temperatura, gosto, textura, acompanhamentos, ela sabia o nome de cada juiz, delegado, diplomata, advogado, tabelião e whatever das quantas que frequentava aquele espaço. Ela sabia quando eles precisavam de café para continuar os estudos, para terem um bom dia, para acordarem, para se sentirem bem com as pilhas de processos, ela simplesmente sabia, porque esse era o trabalho dela, saber quando o usuário precisaria dos serviços antes mesmo dele pedir.

Então numa especializada com a nata da elite judiciária, as bibliotecárias foram tirando férias, tirando licença, aposentando, mudando os turnos e ninguém percebia. Mas foi a tia do café ir pra perícia da Previdência porque estava com problemas de saúde, todos souberam. O serviço que era extremamente vital para a rotina dos advogueiros (fornecimento de café) foi suspenso. Ser servido pelas bibliotecárias não fazia sentido - o ego também não deixa nessas horas. Não é uma história feliz, nem jornada de herói: é o ser indispensável na vida das pessoas que buscam informação. É a diferença que fazemos como bibliotecários na vida das pessoas, por mais bobo que possa parecer.

O objetivo é fazer com que os usuários venham mais vezes pegar café...
Tias do café são aquelas pessoinhas que brotam em lugares precisos e de necessidade causal, prontas para auxiliar a vida dos usuários. Sem o café, o essencial líquido locomotor da energia de nossos corpos moderninhos, nada é criado ou transformado ou qualquer coisa. Sem o café, os usuários se sentem negligenciados pelo espaço em que ocupam, sem o café não há possibilidades de interação, nem que seja para perguntar: "dois ou três torrões de açúcar?". O papel fundamental da tia do café é de mostrar aqueles que são apresentáveis, ajustáveis, super entrosáveis na vida social que o carisma e a alegria eufórica de caráter que fazer a máquina rodar é algo mais embaixo.

Ser a tia do café se tornou um processo em que estou me aperfeiçoando desde pequena, fazer o melhor que posso sem ter os olhos virado pra mim. É mais interessante dessa forma, até porque chegará um dia, um bendito dia em que alguém que você serviu café irá te parar no meio da rua, e dizer algo do tipo: "sabe aquele café que derramei na mesa e você não se importou em limpar, aquele gesto fez toda diferença na minha vida." - porque eu já agradeci muitas tias do café nessa minha vida de escriba. Não por derramar o café, mas oh well fuck, vocês entenderam a metáfora!

(Um dos motivos de eu querer voltar para uma 2ª graduação foi por conat disso. Agradeci a tia da biblioteca que me deixava ficar por lá quando não queria assistir aulas ou quando precisava desesperadamente de alguma coisa para fazer para não surtar com a situação que estava ficando mais nítida lá em casa. Dona Vaninha me serviu mais que um café, ela me manteve focada nas coisas)

Esse é o tipo de recompensa que eu não conseguiria em sala-de-aula, ou na música, ou atrás de um balcão de papelaria, supervisionando uma ONG ou escrevendo manuais de ajuda ao usuário, dentro de uma biblioteca eu consigo. E todo mundo ganha aqui.

Essa sou eu agora, nesse exato momento,
Não sei lidar com liderança, não sei ser líder, amo seguir regras (as escritas, legisladas principalmente), se eu puder fazer o trabalho mais quieto e sem visibilidade alguma pras minhas fuças, esse é o esquema mais acertado. E a biblioteca que acredito (O ideal do fazer bibliotecário) é o de que esse é um espaço público de uso comum, com algumas regras sociais já pré-estabelecidas, outras que devem ser colocadas em prática para otimizar o trabalho aqui, mas infelizmente eu não irei impor a minha vontade em um local onde tenho certeza que não é meu.

E não é, nunca vai ser.
(A biblioteca é da comunidade, gente...)

Devido a sinuquinha de bico em que me encontro - falta de liderança, responsabilidades vindo para mim que não posso tomar decisões ainda, o papel de tia do café está sendo tirado de mim, não quero isso pra minha vida! Não sei como serão as coisas daqui em diante, já estive em uma situação parecida e fui podada de muitas formas (Isso tudo vai travando aos poucos o meu fazer de café...), não me sentir segura no que faço é receita pra #EPICFAIL e isso vem me perturbando demais esses dias.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A crise dos 26 – Parte 2





Tudo começou numa aula de formação e desenvolvimento de coleções, numa quarta feira qualquer. Era a primeira aula dessa disciplina e uma professora já conhecida falava sem parar, contando as suas histórias e ministrando a sua aula como de costume. Não, não é a minha professora favorita, mas tenho que dizer que ela sabe dar aula, a gente aprende muito ali, e provavelmente vamos repetir suas histórias por aí. Então, estava eu lá prestando atenção em tudo que era dito e simplesmente me caiu uma ficha, assim do nada, e eu me perguntei que que eu to fazendo aqui? Repito a aula não estava ruim, era só eu que não me encaixava mesmo. 
Não quero começar na minha vida uma fase de coisas não terminadas. Eu vou sim me formar em biblioteconomia, mas é certo que não será em quatro anos. Já ouvi historias de pessoas que desistiram do seu curso na sétima fase, e eu sempre pensei “nossa que idiota, desistir faltando tão pouco pra se formar”, hoje a idiota sou eu. A vontade de desistir de tudo, arrumar qualquer emprego que de pra sobreviver e seguir a vida é muito grande. Talvez eu esteja vivendo uma adolescência tardia, já que quando eu tinha 16,17, 18 anos e podia pensar assim eu tinha responsabilidade demais pra ser adolescente. Eu não saia de casa, estudava, trabalhava e só. As poucas saídas se resumiam a filmes na casa de amigos ou passeios pelo bairro pra comer cachorro quente. Bons amigos, aliás, que carrego comigo até hoje. Muitas vezes em algumas conversas com uma amiga em especial a gente comenta “nossa como a gente era idiota, como éramos bobinhas, a gente não aprontava nada!” e o mais engraçado era que nossas mães pegavam muito no nosso pé. Já escuto minha mãe falando: “depois de velha tu vai me incomodar? Tu nunca foi disso.” Na verdade eu não quero incomodar ninguém, só quero viver coisas que eu nunca vivi, sem ter que me preocupar tanto com o futuro e com tantas responsabilidades. “Mas você pode equilibrar as duas coisas” aham, me ensina? 

Se realmente existe essa tal de reencarnação, na próxima eu quero ser cachorro.


Ou um pardal.


Ser panda ta muito difícil. 



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