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quinta-feira, 19 de março de 2015

Fugindo do Final Feliz

A eterna busca do final feliz e como isso nos impede de vivermos a felicidade em cada momento de nossas vidas


Vendo a postagem sobre os diferentes tipos de amor da Monja Jetsunma Tenzin (não viu!? clique aqui) acabei perdida em pensamentos, dialogando internamente e lembrando como esse amor romântico nos leva a esperar por algo que resolva nossos problemas e traga a felicidade plena, ou o tão conhecido Final Feliz.



E viveram felizes para sempre.... é com essa frase que normalmente terminam nossos amados contos de fadas. O que é preciso para que esse final ocorra? A principio precisamos de uma princesa, uma história cheia de percalços e por muitas vezes triste, e um príncipe que surge do nada, em um cavalo branco, e resolve todos os problemas.

Epa, tu não é príncipe cara! ¬ ¬


Em 1986 Pedro Bandeira, um autor de livros infanto-juvenis escreveu uma obra que questionava esse final feliz. Em O Fantástico Mistério de Feiurinha (que a Xuxa fez questão de estragar com o seu filme ¬¬ ) o autor começa perguntando, afinal de contas o que significa, para essas princesas, viver feliz para sempre? Casar, ter filhos, reunir a família no domingo pra comer macarronada, tudo isso pode ser legal, mas como ser feliz para sempre sem aventuras, sem mais anões, espelhos mágicos, sapatos de cristal?

Eu ainda tenho o meu! :3

Pedro Bandeira com sua incrível imaginação nos expõe princesas com uma vida muito diferente do que pensamos, Cinderela não aguenta mais os calos de seu sapato de cristal, Rapunzel vive com dor de cabeça porque o príncipe esquece as chaves e fica lhe pedindo que jogue suas tranças, Bela Adormecida vive dormindo pelos cantos, e a coitada da Chapeuzinho virou uma tia solteirona, já que nunca encontrou um príncipe no final de sua história. Todas, exceto claro nossa colega solteirona, estão gravidas, comemorando suas bodas de prata, casadas com seus príncipes encantados (que não tem outro nome a não ser encantado e por fim são todos parentes hehe) e alfinetam-se sem parar para impor suas histórias como sendo as melhores.



Os atuais contos de fadas que estão aparecendo nos cinemas começaram a questionar essa necessidade de um príncipe encantado para o final feliz. Valente, Malévola e Frozen são bons exemplos. O amor, que é o item que resolve os problemas dessas histórias, não surge de um relacionamento romântico, príncipe e princesa, mas sim de laços familiares, amor de mãe, de irmã. Essa mudança tem um impacto muito importante no publico. 

Não! Peraí! Como assim??? oO


Entender que uma mulher não precisa de romance para ser feliz é algo que precisa ser muito questionado. A figura feminina está intimamente ligada às emoções, somos classificadas como o sexo frágil, consideradas choronas e totalmente dependentes do salvamento externo. Os contos de fadas reforçaram a ideia que de apenas com um grande amor a princesa será feliz no final. Branca de Neve jamais teria se livrado do encanto sem o beijo do príncipe, Rapunzel não teria saído da torre se não fosse seu amado, Bela Adormecida nunca teria acordado, e a Chapeuzinho, bem, a chapeuzinho ainda tá solteira. Mas se prestarmos atenção nas histórias, veremos que as princesas sobreviveram muito bem sem os príncipes. Como diz a querida Branca de Neve no livro citado acima:

- (...) Príncipe de história de fada não serve pra nada. A gente tem de se virar sozinha a história inteira, passar por mil perigos, enquanto eles só aparecem no final para o casamento!

Prontas para a briga! 
Infelizmente muitas mulheres ainda esperam pelo príncipe encantado para ser feliz. Mas a realidade é que não precisamos de ninguém que nos complete para que isso aconteça. Essa expectativa nos faz perder o foco das realizações diárias, das alegrias momentâneas, porque normalmente só percebemos que estávamos felizes quando perdemos o que possuíamos. A felicidade não é algo que vem e fica, sempre teremos momentos de tristeza e alegria alternados em nosso dia-a-dia, esperar pela felicidade eterna é viver frustrada com tudo e todos. Estar de bem consigo é o verdadeiro felizes para sempre, a monja Jetsunma (do post que citei lá no inicio) diz assim:

- (...) idealmente, as pessoas deveriam se unir já se sentindo preenchidas por si mesmas e ficarem juntas apenas para apreciar isso no outro, em vez de esperar que o outro supra essa sensação de bem estar que elas não têm sozinhas. E isso gera muitos problemas. E Isso junto com toda a projeção que vem do romance, em que projetamos nossas ideias, ideais, desejos e fantasias românticas sobre o outro, algo que ele nunca será capaz de corresponder. Assim que começamos a conhecê-lo, reconhecemos que o outro não é o Príncipe Encantado ou a Cinderela.

Não tem nada de errado em desejar encontrar o amor da sua vida, apenas tenha consciência que você não precisa dele para ser plenamente feliz, seja feliz sendo você e busque no outro um companheiro para compartilhar suas alegrias.

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