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segunda-feira, 2 de março de 2015

[review] 50 tons de cinza

[post adaptado e originalmente apresentado no blog minhavidadeescriba no dia 15/02/2015]

Yep, fui sinceramente impelida a ir ver o incrível filme por um precinho módico no cinema aqui do Norte da Ilha. Para a surpresa de muitos foliões afoitos nesse mid-carnaval, a fila estava cheia de casais incautos, esperando por alguma coisa que prestasse no filme. Eu e a querida companhia (Aliás Thaís, vou te agradecer pro resto da minha vida subversiva por aguentar a tosqueira arduamente) apenas queríamos rir um pouco, e conseguimos.

Primeiramente esse filme é baseado num livro, que é baseado em uma fanfiction de Crepúsculo, que também - assim como a Meyer - foi escrito de forma muito muito pobre e sem muitas surpresas (Sem contar as absurdidades pra início de conversa).

E o enredo do filme? Onde tá?

Até o pessoal da Mistério S/A tentou encontrar a fraude do roteiro e não conseguiu

Acho que o mindfuck maior foi o de ter esse remendo sem nexo e pulos entre cenas, sem exatamente ter um enredo que prendesse a atenção. Muitas coisas ficaram soltas, muitas falas ficaram vazias, as cenas de sexo? Querem mesmo que eu discorra sobre o que WTF acontecia ali? Podemos concluir então que se a fanfiction era ruim (Hello, Edward e Bella?), o livro pior, logo a adaptação do filme teria que se superar. Para minha surpresa atenuou, urrum, isso mesmo. É ruim pra baraleo, mas ajuda a não ter tanta hostilidade quanto ao livro.

Toda a polêmica sobre relacionamento abusivo, stalking, e tudo mais? Hollywood deu um jeito de fazer aquela regrinha do moralismo estadunidense prevalecer. Enquanto Christian Grey no livro era um chato grudento, sem noção e com um perfil perfeito para psicopata, esse Grey do filme é... (Okay vou me arrepender de escrever isso) quase um fofo.

Calma minha gente, que é só a marca do fogão! Mais considerações, só clicar no link abaixo:

Jamie Dornan que interpreta Christian Grey, tenta ser o bilionário dominador (E sim, escrevi com "d" minúsculo de propósito), mas no final acaba sendo o pobre garoto rico de alma torturada e sem muito poder de persuasão. Olha só pra isso! A carinha de >:( chega a dar uma canseira. Ele não convence com nada aqui.  

Jovem solitário multimilionário cheio de recalques: poderia ser o Batman.

Pra quem já leu os livros sabe que a figura dele é trágica e toda cheia de mistérios e como sempre, por que não, um passado que o condena. Clichê. Jornada do herói básica, alguém que procura subir na vida para ser o controlador de tudo. Aos altos giros da adolescência conheceu uma amiga da mãe (gente boa) que o introduziu na arte do BDSM, depois disso ele já catou uma dezena de submissas para atenuar sua personalidade sofrida e seus impulsos de agressividade.

Faz as contas aí, gente: esse cara é da pá virada e tá fazendo TUDO errado.

Para piorar o panorama para as mulheres de plantão, o anticlímax da atuação desse Grey aqui foi (e devo concordar com o texto ótimo da Ju Umbelino ) a presença de calças. Se você tem toda uma gear no quartinho bizarrinho vermelhinho da Dor, por que raios vai usar calças? O tempo todo usar calças?! E olha que nem presto atenção em detalhes da anatomia masculina, mas pô cara! Calças não! Pô tia James, pô!

Anastasia Steele, interpretada por Dakota Johnson convence no papel de mulher submissa, frágil, lalalala, assim como todo o patriarcado quer que as mulheres sejam, com direito ao dorkness adorável para fascinar um cara que é chegado nos paranauê de sadomasoquismo. Gostei. Sim, podem fazer careta, mas ela é bem melhor que Bella Swan (Lembra? Fanfiction, hello?).

Com mais expressões faciais que sua contraparte fanfística Bella Swan

Detalhe: ela é estudante de Letras. PRECISO DIZER MAIS ALGUMA COISA?! Não? Obrigada. Ela passa a maior parte do tempo ou chorando, ou para chorar ou mordendo o lábio inferior ou se perguntando wtf está fazendo com a própria vida. Posso ter uma vaga ideia de como é esse feeling.

Mas é a vida, né?

Murmurei algumas vezes: "Fia, dá meia volta e corre!", mas creio que se a tosquice continuar por mais de 2 horas de filmagem, a zoeira deve ser bem grande.

Vamos aos detalhes técnicos, porque olhem só: Isso salvou um pouco o filme - e porque tava cansada de ver a fraca interação do "casal" e fiquei prestando atenção nos objetos de cena, na paisagem lá fora (na criança com balão que a minha amiga disse que ESTAVA na sessão e depois confirmada por vozinha infantil há poucos metros de nossas cadeiras, quem em são juízo leva o filho pequeno pra ver esse filme?! QUEM em completo controle de suas faculdades mentais vai assistir de qualquer maneira?!), em qualquer coisa, menos no que eles falavam.

A trilha sonora é AWESOME! Sério, o que salvou toda a nonsense foi a trilha. Apenas um deslize da principal cena de intimidade (e a mais "forte" do filme todo) que colocaram uma música clássica. Cortou um bocado da "ação" toda - custava ser algo lento como a cover de "I put spell on you" da Annie Lennox?! 



Danny Elfman assinou a original score, mas aí deixa a perguntinha básica no ar, e se fosse Tim Burton quem dirigisse esse filme? Creio que seria mais interessante. E haveria alguma morte criativa e hilária. E Beetlejuice. Ou marcianos que odeiam "Indian Love Call", eu totalmente pagaria com muito prazer para ver um filme desses...
(Oh por Loki nos céus de Asgard! Se fosse um diretor europeu vanguardista, maluco e psicodélico seria mil vezes melhor!). 

Figurinos, sets e takes panorâmicos. Ótimos, tudo em seu devido lugar. O quartinho escuro do Grey também me chamou atenção, muito bem equipado, com muita novidade para ser analisada e um belo sistema de grades perto da cama para poder usar algemas, correntes e cordas de forma apropriada (Pouco aproveitado no filme, já dando spoiler). O pessoal que fez as props estão de parabéns, diferente da escritora do livro que baseou esse filme, eles devem ter pesquisado, isso sim me chamou atenção.

A ótima ideia de traduzir para português as mensagens e emails que apareciam durante o filme foi prática, indolor e mais dinâmica para que as pessoas prestassem atenção nas cenas, nada de ficar lendo legendas.

E o mais importante: finalmente consegui tirar a imagem mental de Robert Pattinson e Kristen Stewart ao ler/ver algo relacionado ao livro/filme. Graças!! *jogando as mãos para o céus*

E para terminar com a zoeira - porque essa é a única explicação que posso encontrar sendo racional para esse amontoado de cenas chamado filme - Deadpool sabe o que faz:

Hulk não faz amor, hmmmmmmm, ele ESMAGA!

Não é que não valeu a pena, porque valeu, mas gente... Que absurdo foi esse que fui assistir?! Sou tão errada assim desse jeito para achar o filme insosso demais?

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